Tuesday, February 23, 2010

Artigo na revista Motor Clássico de Fevereiro 2010

Agora que já passaram uns dias após sair a revista, cá vai o artigo:

O meu Opel Manta 1900

A história da paixão por este modelo da Opel, foi algo que não foi nada planeado, nem algo herdado de família.
Sempre gostei de carros clássicos, e ainda sem carta já folheava revistas e via fotografias de carros antigos. Ainda muito jovem cruzei-me com a imagem deste coupé de linhas desportivas e traseira com “faróis à Ferrari”. Foi algo que me marcou e me levou a pesquisar a história da Opel e do Opel Manta. Um carro com nome de peixe!

Alguns anos passaram e só depois de tirar a carta, entrar no mercado de trabalho e ter as condições mínimas para guardar um clássico, é que me propus á procura.
Foram dois anos a pesquisar sites e anúncios, alguns telefonemas, e viagens até encontrar o "meu" Manta quase perfeito. Entretanto já começara a participar em fóruns, e em especial na antiga secção de clássicos do Auto Hoje, onde encontrei utilizadores realmente conhecedores e disponíveis para ajudar. Foi com eles que aprendi a perceber e a apreciar os clássicos.

Foi em Leiria que fui encontrar o meu Manta. Havia sido registado em 05-08-1972 e apesar dos dois registos, sempre pertenceu à mesma família de Lisboa. O falecimento prematuro do primeiro dono, ditou que o Manta passasse para nome da sua irmã, que “religiosamente” o guardou e manteve até não ter mais idade nem condições para o fazer. O Manta foi vendido originalmente pelo Agente Opel, ELFE, na Av. Manuel da Maia, e com o carro vieram o Manual do Utilizador e o Livro de Revisões carimbado no concessionário até aos 81.057Km!

O timing da aquisição foi praticamente perfeito: Julho de 2006. Daí a 2 meses planeava o meu casamento. E que melhor meio de transporte para esse dia especial que a concretização de um sonho de juventude? O meu Opel Manta.
Foi nele que a noiva, agora minha esposa, foi para a igreja e foi nele que após a cerimonia partimos já os dois. Inevitavelmente este carro fará para sempre parte da nossa vida.

Apesar do bom estado do Manta aquando a aquisição, ainda para mais num carro nunca restaurado, havia pequenas peças em falta e pormenores que precisavam de ser revistos. E assim, com a ajuda dos fóruns e da Internet, começou a saga da aquisição de peças e de documentação para um futuro restauro.

Da Alemanha e dos EUA, vieram peças, e com elas também amizades.
Do outro lado do Atlântico fui encontrar um Opelista interessado em ajudar. Perto do Natal de 2006 enviou-me peças difíceis de encontrar, e em troca apenas me pediu para que quando eu tivesse oportunidade de ajudar alguém, de fazer o mesmo. Em forma de agradecimento enviei-lhe algumas lembranças características deste cantinho da Europa, um Porto Vintage, um bom Tinto Alentejano e uma lata de belo azeite Transmontano.

Em 2007 planeei uma semana das minhas férias para fazer uma viagem de Opel Manta pelo norte do país. E foi em Paços de Ferreira que conheci pessoalmente o Marvin, um jovem Alemão fãn do Opel Manta, cuja namorada é portuguesa, e o Miguel fãn dos Datsun TriS. Mais uma vez, foi através dos fóruns que trocámos ideias e planeámos a entrega de algumas peças. Quanto à viagem, foram 8 dias e cerca de 800 kms, com a mala cheia com sacos cama e tenda, sempre a rolar e sem problemas.

Só recentemente o restauro teve lugar, mas quanto aos seis meses de restauro e a respectiva história, convido-vos a passar pelo fórum MC, onde tudo está muito bem documentado.
Um abraço clássico,
Ricardo dos Santos Silva

Monday, January 25, 2010

... depois de dois meses de chuva

Há quase dois meses que não dava uma voltinha no meu Manta.
Com o mau tempo não gosto de sair com ele. O que não quer dizer que as manutenções sejam descuradas.
Como o fim de semana prometia bom tempo, os senhores da meteorologia falavam em sol e poucas nuvens, planeei uma passeata com o Manta. No sábado à tarde coloquei mãos à obra, lavei o carro da poeira da garagem e pela primeira vez passei cera de carnaúba em toda a superfície pintada!

Foi uma esfrega e pêras: espalha cera, deixa secar, polir a cera, espalha nova camada de cera, deixa secar, polir a cera, tudo manualmente com paninhos micro fibra (truque e dicas que aprendi com o pessoal do "detalhe") ainda hoje me dói os músculos do braço.

Com o carro num brinco, pensei logo no sábado ir dar uma voltinha por perto. Abro o portão da garagem e eis que não é o meu espanto quando vejo que estava a chover a cântaros ...
Domingo a primeira coisa que fiz ao acordar foi espreitar a rua ... não chovia e as nuvens eram mais para o branquinhas!

Desta vez o destino foi a Quinta dos Loridos no Bombarral, ou como é mais conhecida "Quita dos Budas". O Jardim é um espaço com cerca de 35 hectares, idealizado e concebido pelo Comendador José Berardo, em que podemos encontrar inúmeras estátuas de budas em mármore granito e soldado em terra cota de. Vale a pena uma visita!!!




A caminho encontrei este carrito que tentou se picar com o Manta. Claro que não dei hipóteses, carreguei no acelerador e ... ainda não sei como é que ele chegou primeiro!




E para finalizar umas fotos do meu Manta, que à saída e já de noite decidiu me pregar uma partida. Ia a sair ao portão da Quinta quando o carro vai a baixo, como era a descer tentei meter a segunda e arrancar, mas ele teimou em não pegar! Encostei à berma dei à chave, a bateria e o motor de arranque respondia, mas ele teimava em não pegar. Embalei de novo na descida e nada ...

Tive de encostar e ver o que se passava, ao abrir o capot ouvi um barulho tipo água a correr para o chão, mas o cheiro a gasolina não enganava. Espreitei para perto da bomba de gasolina e o tubo que vem do deposito tinha-se despipado!!! Lá engatei de novo o tubo dei à chave, esperei que a gasolina chegasse ao carburador e "tcharam" lá voltou a trabalhar.

Foi uma forma de ele me dizer que tinha estado parado tempo de mais.
Ainda dizem que os carros antigos não têm temperamento.



Friday, October 30, 2009

Pormenores a afinar

Há sempre pormenores a afinar, e entretanto depois de sair da oficina, e de alguns kms ao volante, dado que as saudades já eram muitas, tirei o radiador e mandei tapar umas fugas mínimas que já estavam a dar sinal ainda antes do restauro.

A minha ideia até era meter um ninho novo, mas o técnico da casa que repara os radiadores ao analisar disse que não valia a pena. Dado que o ninho estava bastante bom, apenas se iria tapar as fugas, limpar as ferrugens interiores e exteriores e pintar. Ainda deu garantia do trbalho executado!

Cá está ele de novo pronto a montar:





Thursday, October 08, 2009

A estreia !!! Ou o final do restauro ...

A estreia já foi ...

Saiu da oficina Quinta-feira directamente para Lisboa (100 km e na AE sempre a 130 140 km/h ) sempre a respirar saúde, expecto um grilar no rolamento de encosto, que quando pisava a embraiagem fazia um barulho bastante audível.

Mas depois de umas voltinhas por Odivelas, e tal como o mecânico me tinha dito o barulho desapareceu dado que a lubrificação começou a fazer efeito.
Sexta-feira foi fazer o reconhecimento do percurso para Sábado. Odivelas - Malveira - Odivelas (27 kms para cada lado).

Sábado o dia começou bem cedo, e para o Manta também era hora de se engalanar para a FESTA.
Colocaram-se os centros das jantes e os aros, passou-se o paninho para limpar o pó e vestiu-se com traje a rigor para a sessão fotográfica!
Laços, fitas e balões ...
Duas horas depois, chegou o momento áureo... levar a noiva à Igreja, e posteriormente o casalinho recém casado para a boda na Malveira! Pelo caminho, feito a ritmo de passeio, muitas foram as buzinadelas dos transeuntes, e houve ainda um carocha vermelho que na estação de serviço da A8, onde parámos para reagrupar, nos veio pessoalmente felicitar!

Entretanto o Manta regressou da capital, e descansa agora na sua garagem, mas ainda tem de voltar à oficina para afinar uns pormenores estéticos, e meter um ninho novo no radiador.


Foram cerca de 300kms sempre em grande forma, sem aquecer, gastar óleo ou água. (para quem conhece o local, Manta começou subida para a estação de serviço para Aveiras a 110km/h e quase lá em cima já ia a 155km/h, entretanto a pendura começou a acionar o "travão").

Mas vamos às fotos para ver o resultado final:













Ultimas montagens ... e a luz ao fundo do tunel

Nos últimos tempos não me tenho dedicado ao Blog do Manta ... no entanto vou tenar actualizar agora o máximo que puder!!!

Entretanto já se fez a furação e aplicou-se o farois suplementares por baixo do para choques tal como mandam as regras.


A cablagem foi revista, e retirou-se o que não era de lá (um relé e cablagem de umas buzinas suplementares, e fios para colunas traseiras).




Já foi tudo testado, e feita a cablagem para a consola de manómetros e para o rádio tal como no esquema de origem.
Os farois suplementares, já estavam previstos na cablagem de origem, por isso foi só instalar o botão e fazer umas puchadas.




Um dos pormenores destas instalações antigas é não haver fios de massa ... o que para um nabo como eu fazia acreditar que muitas das lampadas se tinham fundido...

No fim lá fomos limpar alguma da tinta dos buracos de aperto dos parafusos e ajustar os mesmos.

O tablier no sitio e o para-brisas colocado ... está quase ...



Borrachas das portas, vidros, e alguns dos extras também já montados...
Consola de manometros e rádio acessórios originais!!!

Cablagem já toda arrumadinha e tampa dos fusveis já no lugar ( peça dificil de arranjar)





Ainda em relação à cablagem ... o fio vermelho com riscas brancas que liga o amperiometro ao alternador, teve de ser "feito".
De forma a ficar com a cablagem de acordo com o esquema original, tive de pintar as riscas brancas num fio vermelho.

Também andei à procura de fita cinzenta mesmo igual, mas não consegui encontrar.

Ao que parece a cablagem de origem é revestida com uma fita "antifogo" diferente da usual fita isoladora.


Secção traseira e bancos montados



O bate-chapas deu cera em todas as cavidades